O Padlet é uma ferramenta digital de mural colaborativo, onde é possível publicar textos, imagens, links e documentos em um só espaço, organizado por data ou por seção. Nesta disciplina, ele foi usado não como mural coletivo, mas como portfólio digital individual, um Padlet por aluno.
O uso pedagógico foi duplo. Primeiro, como instrumento de metacognição: o aluno registrava não apenas o conteúdo aprendido, mas o próprio processo de aprender, pensando sobre o seu pensamento. Segundo, como instrumento de aprendizagens visíveis: o raciocínio do aluno, normalmente invisível, passava a existir como registro concreto e datado, acessível tanto a ele quanto ao professor.
Na prática, a cada aula o aluno produzia um saber (uma reflexão, a resposta a uma atividade, a análise de um conceito trabalhado em sala) e o registrava no Padlet naquele mesmo dia, com data. Essa sucessão de registros ao longo do trimestre formou uma linha do tempo da aprendizagem de cada aluno, funcionando como evidência contínua, e não como uma entrega avaliativa única e pontual.
A importância pedagógica do portfólio está em deslocar o que se avalia: em vez de medir apenas o resultado final de uma aprendizagem, o registro contínuo permite acompanhar sua evolução ao longo do tempo, os momentos de dúvida, de mudança de entendimento e de amadurecimento conceitual. O portfólio transforma a aprendizagem em algo rastreável, e não apenas em uma nota isolada obtida em uma única data. Ele também devolve ao aluno a autoria do próprio percurso: ao reler os registros anteriores, o aluno pode comparar como pensava no início do trimestre com o que pensa agora, o que reforça a autorregulação da aprendizagem. Para o professor, o portfólio oferece um dado que uma avaliação pontual não fornece, o processo de formação do pensamento, não apenas o seu ponto de chegada.